Entre sábio e soberano: aspectos temáticos, diegéticos e composicionais no Romance de Alexandre

Pedro Ipiranga Júnior

Resumo


Agrupando relato histórico, gênero epistolar, narrativa de maravilhas, trechos em prosímetro com mistura de prosa e verso, incorporando conjuntos textuais de outras obras, o Romance de Alexandre não deixa de assimilar em sua dinâmica romanesca não apenas outros gêneros de discursos, como também mimetiza os processos do fazer narrativo. Nesse trabalho tenho como propósito analisar formas de marcação narrativa no RA que digam respeito a aspectos temáticos, diegéticos ou composicionais, enfocados a partir de dois enquadramentos: a) estejam vinculados aos discursos e às ações de Alexandre e expressem algum tipo de princípio filosófico, em geral, ou ético, em particular; b) indiquem a assimilação, aproximação ou apropriação por parte do protagonista de características de determinados deuses ou heróis, mormente de Héracles, Dioniso e Amon, por um lado, e de personagens históricos ou fictícios, por outro, a exemplo de Sesóstris ou Sesôncosis, Semíramis e Aquiles. Em função disso, analisarei trechos da recensão α e, mais restritivamente, da recensão β, especificamente com a variante representada pelo manuscrito L. Pretende-se com esse levantamento e comparação verificar se essas referências constituem uma rede de sinalizações interconectadas e, consequentemente, uma forma peculiar de garantir certa forma de unidade peculiar para obra, a despeito da possibilidade de agrupar novos materiais e outros conjuntos textuais.


Palavras-chave


Romance de Alexandre; romance antigo; gênero Bíos; literatura sapiencial.

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DOI: https://doi.org/10.24277/classica.v33i1.905

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