A significação das estruturas formulares dos epimítios da fábula esópica anônima

Maria Celeste Consolin Dezotti

Resumo


Este trabalho apresenta os resultados da análise da organização textual das fábulas esópicas anônimas. O exame das marcas linguísticas que fazem a coesão textual dos dois textos constitutivos da fábula – a narrativa e o epimítio – mostrou que a fábula é um gênero discursivo que se configura como um tipo particular de ato de palavra realizado por meio de uma narrativa que se deve interpretar segundo as orientações de seu locutor. Nas fábulas de coleções anônimas, estas orientações se acham explicitadas linguisticamente por verdadeiras fórmulas metalinguísticas, situadas, topicamente, no início do epimítio. Pode-se demonstrar o estatuto formular destas expressões metalinguísticas tanto pela sua constante repetição em um grande numero de fábulas, como, e sobretudo, pela elevada frequência das marcas de elipses nominais, verbais e oracionais que estas formulas apresentam. Observou-se, também, que a recuperação das unidades lexicais que completam os esquemas subjacentes as construções elípticas se torna possível somente se se recorrer a outras fábulas do corpus. Estes fatos nos permitem pressupor a existência de paradigmas de fórmulas acumuladas na competência linguística do locutor e do ouvinte grego, do mesmo modo que nos revelam um engajamento da fábula esópica para assinalar linguisticamente sua condição de enunciado.


Palavras-chave


Esopo, fábulas, epimítios, linguística, literatura grega, Grécia.

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DOI: https://doi.org/10.24277/classica.v5i1.549

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