A exposição dos animais na obra de Plínio o velho: exotismo e monstruosidade na Naturalis Historia

Ana Thereza Basilio Vieira

Resumo


A catalogação e exaltação das conquistas romanas ao longo dos tempos é um dos pontos centrais na obra pliniana, que se apoia sobre um caráter primordial do autor: a curiosidade. Animais domésticos ou selvagens são constantemente citados por Plínio em sua Naturalis Historia, seja na parte reservada à zoologia, seja na farmacopeia ou mesmo na antropologia, haja vista que o homem também se insere na categoria animal. A descrição leva em conta critérios nítidos: contato, local, aspecto, tamanho, hábitos e utilidade para os romanos. Além disso, o exotismo e a monstruosidade – ou o estranhamento frente a uma espécie desconhecida – garantem ao autor um possível leitor desejoso de novos conhecimentos. Espetáculos, em âmbito público ou privado, são os melhores locais para a exibição das espécies, trazidas das zonas periféricas, que compõem o Império romano.


Palavras-chave


Animais; história natural; catalogação; exotismo; monstro.

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DOI: https://doi.org/10.24277/classica.v30i2.434

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