Electra e Orestes: os efebos euripidianos na khóra de Argos

Márcia Cristina Lacerda Ribeiro

Resumo


Este artigo pretende analisar a Electra de Eurípides, sob um ângulo específico – o exame da efebia (ephebeia). O drama de exclusão-inclusão de Electra e Orestes, somado ao espaço de ação, a fronteira, levou-nos a conjecturar que os jovens vivenciam conjuntamente a instituição militar conhecida como efebia, um ritual de iniciação masculino. Em que pese a efebia ser exclusiva do universo masculino, desenvolvemos a ideia de os heróis formarem uma unidade, uma única persona – o vingador/justiceiro; portanto, ambos participam do mesmo ritual. Comparamos alguns aspectos da instituição com as ações desenvolvidas pelos protagonistas e cogitamos da possibilidade de, no nível do texto poético, assistir a efebia trágica.

Palavras-chave


Eurípides; Electra; Efebia.

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DOI: https://doi.org/10.24277/classica.v29i1.354

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