Metáfora: a funcionalidade do tropo na articulação da retórica e da filosofia na mundividência renascentista

Ana C. Martins

Resumo


Desde os fundamentos aristotélicos que o processo de metapherein, assente na similitudo e transferência semântica, concilia, de forma promissora, a argumentação retórica e a problematização filosófica, forma e conteúdo, res et uerba. Os humanistas quinhentistas, fiéis a esta indissociabilidade e na esteira do ideal de imitativo e aemulatio do legado da Antiguidade Clássica, rentabilizaram as virtualidades e potencialidades da metáfora, convertendo o tropo num instrumento de pedagogia, de génese e criação literárias. A historiografia renascentista é pejada, por isso, de tratados e colectâneas, repositórios enciclopédicos de sentenças morais, que estão a serviço da formação integral e que espelham um escrupuloso e afincado trabalho filológico. O homem renascentista é, assim, instigado a reflectir sobre a sua natura, diante da sua condição dual, dos seus vícios e virtudes, das suas forças e fragilidades, e a leitura metafórica ajuda-o, neste sentido, a redimensionar o mundo e a projectarse nele, a representar, a conhecer e a descobrir(-se) na sua condição polimórfica, nas suas misérias e nos seus sonhos.

Palavras-chave


Metapherein; Transferência; Potencial Heurístico e Ecfrástico; Capacidade Cognoscitiva da Linguagem; Representação Simbólica do Homem e do Mundo.

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DOI: https://doi.org/10.14195/2176-6436_22-2_2

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