Variedade de gêneros e teatralidade nos dramas de Sêneca

José Eduardo dos Santos Lohner

Resumo


A poesia dramática de Sêneca, como, em geral, a literatura da época imperial, é marcada pela influência estética do período helenístico. Entre outros aspectos, a mescla de gêneros discursivos, praticada por poetas alexandrinos, é em boa medida observável nos dramas senequianos, onde, aliás, há constantes referências a modelos não dramáticos, especialmente a lírica de Horácio e a épica de Virgílio e Ovídio, além do emprego de elementos formais do discurso declamatório. Considerando a questão longamente debatida pela crítica sobre o tipo de performance que o dramaturgo latino teria concebido para seus dramas, sugere-se então que a variação de formas discursivas, bem como o uso de modelos não dramáticos, seja um fator que interfere na teatralidade dessas peças. O resultado disso é um texto em que aparecem algumas cenas com conteúdo e características adequados à encenação no palco, ao lado de outras, de pouco efeito cênico e visual, nas quais se destaca antes o efeito auditivo do ttexto recitado e sua força descritiva operando na imaginação do ouvinte.

Palavras-chave


Tragédia latina; Sêneca; performance; variedade de gêneros.

Texto completo:

PDF

Referências


AGAMÊMNON. Paris: Comédie Française, 21/mai-23/jul/2011. (Mise en scène de Denis Marleau).

BOISSIER, G. Les tragédies de Sénèque ont-elles été représentées? Paris: P. Dupont, 1861.

BONNER, S. F. Roman declamation in the late Republic and early empire. Liverpool: Liverpool University Press, 1969.

BOYLE, A. (Ed., Introd., Trans. Comm.). Seneca's Oedipus. New York: Oxford University Press, 2011.

CANTER, H. V. Rhetorical elements in the tragedies of Seneca. Studies in Language and Literature, The University of Illinois,v. X, n. 1, p. 22-23, 1925.

CITRONI, Poesia e lettori in Roma antica. Roma: Laterza, 1995.

CLARKE, M. L. Rhetoric at Rome. A historical survey. London: Routledge, 1953.

DUPONT, F. Les monstres de Sénèque. Paris: Ed. Belin, 1995.

DUPONT, F. Recitatio and the reorganization of the space of public discourse. In: HABINEK, T.; SCHIESARO, A. (Ed.). The Roman cultural revolution. Cambridge: Cambridge University Press, 2000. p. 44-59.

FERRI, R. (Ed., Introd., Comm.). Octauia. A play attributed to Seneca. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.

FITCH, J. G. Playing Seneca? In: HARRISON, G. W. M. (Ed.). Seneca in performance. London: The Classical Press of Wales, 2000.

FITCH, J. G. Seneca's Hercules Furens. Ithaca: Cornell University Press, 1987.

FORTEY, S.; GLUCKER, J. Actus tragicus: Seneca on the stage. Latomus, v. 34, p. 699-715, 1975.

GOLDBERG, S. M. The fall and rise of Roman tragedy, TaphA, v. 126, p. 265-285, 1996.

HINE, H. M. [untitled Review]. The Journal of Roman Studies, v. 77, p. 256-258, 1987.

JOUTEUR, Isabelle. Jeux de genres dans les Metamorphoses d’Ovide. Louvain: Peeters, 2001.

KELLY, H. A. Ideas and Forms of Tragedy from Aristotle to the Middle Ages. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.

KÖRTE, A.; HÄNDEL, P. La poesia helenística. Barcelona: Labor, 1973.

KRAGELUND, P. Senecan tragedy: back on stage? In: FITCH, J. G. (Ed.). Seneca. Oxford: Oxford University Press, 2008. (Oxford Readings in Classical Studies, p. 181-194)

KROLL, Wilhelm. Studien zum Verständnis der römischen Literatur. Stuttgart: Wissenschaftliche Buchgesellschaft, 1924.

LARSON, Victoria T. The role of description in senecan tragedy. Frankfurt am Maim: Peter Lang, 1994.

LEO, F. De Senecae tragoediae observationes criticae. Berolini: Weidmann, 1878.

ROSSI, L. E. I generi letterari e le loro leggi scritte e non scritte nelle letterature classiche. London: University of London; Institute of Classical Studies, 1971. (Bulletin n. 18)

SCHLEGEL, A.W. von. Über dramatische Kunst und Literatur. Vorlesungen. Heidelberg: Mohr & Zimmer, 1809-1811.

SETAIOLI, Aldo. Seneca e lo stile. ANRW: Aufstieg und Niedergang der Römischen Welt, p. 776-858, 1985.

STALEY, G. A. Seneca and the idea of tragedy. Oxford: Oxford University Press, 2010.

STROH, Wilfried. Staging Seneca: the production of Troas as a philological experiment. In: FITCH, J. G. (Ed.). Seneca. Oxford: Oxford University Press, 2008. (Oxford Readings in Classical Studies, p. 195-220)

TARRANT, R. J. Seneca's Thyestes. Atlanta: American Philological Association, 1985.

TARRANT. Seneca Agamemnon. Cambridge: Cambridge University Press, 1976.

WALKER, B. Review of Zwierlein Rezitationsdramen Senecas. Classical Philosophy, v. 65, p. 183-187, 1969.

WINTERBOTTOM, M. Roman declamation, extracts with commentary. Bristol: Bristol Classical Press, 1980.

ZWIERLEIN, Otto. Die Rezitationsdramen Senecas. Meisenheim am Glan: Anton Hain, 1966.




DOI: https://doi.org/10.14195/2176-6436_24_6

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2013 José Eduardo dos Santos Lohner

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

 

 Classica está licenciada sob a Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional