Poder e sexualidade em Agamêmnon
genealogia do desejo e das formas de dominação na tragédia de Ésquilo
DOI:
https://doi.org/10.24277/classica.v39.2026.1239Palavras-chave:
Agamêmnon; Ésquilo; Foucault; sexualidade; poder.Resumo
Este trabalho propõe uma exegese da tragédia Agamêmnon (c. 458 a.C.) de Ésquilo, alinhando-a à perspectiva da genealogia foucaultiana do poder e da sexualidade. Partindo do pressuposto de que o palco trágico configura um espaço privilegiado para a inspeção dos modos históricos de produção e normatização dos corpos, o estudo visa a descortinar a mecânica pela qual a peça eleva a sexualidade à condição de dispositivo central da disputa pelo poder, notadamente no intrincado conflito entre Clitemnestra, Agamêmnon e Cassandra, estendendo-se aos vínculos com Egisto. A análise temática concentra-se na complexa teia que se estabelece entre o desejo, a soberania e livre discursividade, parrésia, investigando sua articulação e manifestação cênica. A metodologia de cunho genealógico opera uma análise textual orientada pelos conceitos foucaultianos de dispositivo, cuidado de si, epiméleia heautoû, e livre discursividade, objetivando revelar os mecanismos de controle e as lacunas impostas à enunciação da verdade. Os resultados demonstram que o corpo feminino emerge como o lugar estratégico e a superfície de inscrição de um conflito de natureza tanto política quanto simbólica. Conclui-se, a partir desta leitura, que a Orestéia esquiliana encena tensões míticas que persistem no eco da contemporaneidade, convocando-nos a uma reflexão crítica sobre o agonismo entre poder, desejo e os processos de subjetivação.
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