Um beijo retórico
tradução e comentário da Carta 3.14 de Frontão a Marco Aurélio
DOI:
https://doi.org/10.24277/classica.v38.2025.1144Palavras-chave:
carta M. Caes. 3.14; Frontão; tradução; retórica clássica; disputa aristocrática.Resumo
Em seu epistolário, Frontão (séc. II EC) sugere ter expressiva conexão com os integrantes da dinastia antonina, sobretudo Marco Aurélio, de quem foi professor de retórica. Richlin (2006) aponta para o teor predominantemente erótico e físico de tal vínculo, o que Laes (2009), por seu turno, problematiza. Dialogando com esse debate, este texto tem dois objetivos: i) discutir como a afeição é retratada pelo orador, na correspondência, enquanto uma forma de convencer os seus de certa proximidade privilegiada com a casa imperial diante do contexto de disputa aristocrática e ii) apresentar nossa tradução para a epístola 3.14, destinada a Marco Aurélio, uma das cartas em que o autor enfatiza a singularidade de seu vínculo com o aluno. Para isso, recorremos a fontes antigas, como Catulo (Catull. 9), Ovídio (Ov. Her) e Marco Aurélio (M. Aur. Med.), além de estudos contemporâneos sobre a natureza da relação em questão e o cenário de competição entre autocratas no período imperial – e.g. Laes (2009) e Faversani (2024), respectivamente. Destaca-se a complexidade da controvérsia, de modo a evidenciar o caráter político e retórico da amizade dos correspondentes sem necessariamente anular sua dimensão amorosa.
Downloads
Referências
Edições e traduções integrais da correspondência de Frontão
FRONTO. The correspondence of Marcus Cornelius Fronto with Marcus Aurelius, Lucius Verus, Antoninus Pius and various friends. Edited and translated by Charles Reginald Haines. Londres: William Heinemann, 1919. 2v.
FRONTO. The correspondence of Marcus Cornelius Fronto with Marcus Aurelius, Lucius Verus, Antoninus Pius and various friends. Translation by Charles Reginald Haines. Londres: William Heinemann, 1988. 2v.
FRONTON. Correspondance. Traduction de Pascale Fleury. Paris: Les Belles Lettres, 2003.
FRONTÓN. Epistolario. Traducción de Ángela Palacios Martín. Madri: Gredos, 1992.
M. CORNELII FRONTONIS. Epistulae. Schedis tam editis quam ineditis Edmundi Hauleri usus iterum edidit Michael P. J. van den Hout. Leipzig: Teubner, 1988.
Fontes primárias
BÍBLIA DE JERUSALÉM. 1 ed. Tradução de Euclides Martins Balancin e outros. São Paulo: Paulus, 2002.
BONDONE, Giotto di. Bacio di Giuda. c.1304-1306. Pintura, afresco, 108,5 cm × 175 cm.
CATULO. O livro de Catulo. Tradução de João Angelo Oliva Neto. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1996.
MARCO AURÉLIO. Meditações. Os escritos pessoais de Marco Aurélio Antonino, imperador filósofo (Ta Eis Eauton). Tradução de Aldo Dinucci. São Paulo: Penguin-Companhia das Letras, 2023.
OVID. A poem of consolation. In: OVID. The art of love and other poems. Translation by John Henry Mozley. Londres; Cambridge: William Heinemann; Harvard University Press, 1957, p. 323-57.
OVÍDIO. Heroides. Tradução de João Victor Leite Melo. In: MELO, João Victor Leite. Tradução Integral das Heroides de Ovídio em dístico elegíaco vernáculo. Tese (Doutorado em Letras: Estudos Literários) – Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2024. Disponível em: http://dspace4.ufes.br/items/65b8eabe-19c7-43de-9dfa-502547b4b6e0/full. Acesso em: 6 fev. 2025.
PLUTARCH. Plutarch. Moralia. Translation by Frank Cole Babbitt. Cambridge; Londres: Harvard University Press; William Heinemann, 1936.
PSEUDO QUINTILIANO. Declamação maior 3. Tradução de Anna Clara Figueiredo Lima e Charlene Martins Miotti. Texto original inédito cedido pelas autoras.
Estudos contemporâneos
ACHCAR, Francisco. Lírica e lugar-comum. Alguns temas de Horácio e sua presença em português. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1994.
ARENA, Valentina. Roman Oratorical Invective. In: DOMINIK, William; HALL, Jon (ed.). A companion to Roman rhetoric. Oxford: Blackwell, 2007, p. 149-60.
AUBERT, Sophie. La φιλοστοργία chez Fronton, une vertu sans équivalent latin? Aitia. Regards sur la Culture Hellénistique au XXIe Siècle, Lyon, n. 1, p. 1-14, 2011. Disponível em: http://journals.openedition.org/aitia/179. Acesso em: 5 maio 2024.
CHAMPLIN, Edward. Fronto and Antonine Rome. Cambridge, Londres: Harvard University, 1980.
COELHO, Ana Lucia Santos. As Metamorfoses de Nero. Um estudo da construção da tradição literária sobre o último Júlio-Cláudio e o seu Principado (I-III d.C.). 2021. Tese (Doutorado em História) – Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, 2021. Disponível em: http://www.repositorio.ufop.br/items/6d19f4af-7b7f-4deb-a8e2-7d2dea8726ba. Acesso em: 8 fev. 2025.
COLLIN, Franck. L’art de la parole imagée chez Fronton: philosophie et pensée littéraire. In: VOISIN, Patrick; BÉCHILLON, Marielle de (éd.). L’Art du discours dans l’Antiquité. De l’orateur au poète. Paris: L’Harmattan, 2011, p. 213-34.
DIAS, Fabrizia Nicoli. O encômio paradoxal nas cartas laudatórias de Frontão. 2021. Dissertação (Mestrado em Letras: Estudos Literários) – Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2021. Disponível em: https://dspace5.ufes.br/items/8bd3ff9b-858a-4d7b-ab6a-2cc5a2f908ea. Acesso em: 6 maio 2025.
ERNOUT, Alfred; MEILLET, Alfred. Dictionnaire étymologique de la langue latine: histoire des mots. Paris: Klincksieck, 1951.
FAVERSANI, Fábio. La construcción de la deshonra romana. Elementos para la comprensión de la construcción de malas reputaciones en la (y partir de la) Antigüedad romana. Pasado Abierto, n. 19, p. 252-68, 2024. Disponível em: http://fh.mdp.edu.ar/revistas/index.php/pasadoabierto/article/view/7797. Acesso em: 3 set. 2024.
FLEURY, Pascale. Introduction. In: FRONTON. Correspondance. Traduction de Pascale Fleury. Paris: Les Belles Lettres, 2003, p. 11-37.
GRIMAL, Pierre. Ce que Marc-Aurèle doit à Fronton. Revue des Études Latines, Paris, n. 68, p. 151-9, 1990.
HORNBLOWER, Simon; SPAWFORTH, Antony; EIDINOW, Esther (ed.). The Oxford Classical Dictionary. 4. ed. Oxford: Oxford University, 2012.
LAES, Christian. What could Marcus Aurelius feel for Fronto? Studia Humaniora Tartuensia, Bruxelas, v. 10, p. 1-7, 2009. Disponível em: http://ojs.utlib.ee/index.php/sht/article/view/10.A.3. Acesso em: 15 jul. 2024.
MARTÍN, Ángela Palacios. Introducción general. In: FRONTÓN. Epistolario. Traducción de Ángela Palacios Martín. Madri: Gredos, 1992, p. 7-36.
PEREIRA, Ana Cristina. O afecto na relação entre Frontão e Marco Aurélio. 2014. Dissertação (Mestrado em Estudos Clássicos) – Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, Lisboa, 2014.
QUIGNARD, Pascal. Marco Cornélio Frontão. Primeiro Tratado na Retórica Especulativa. Tradução de Paulo Neves. São Paulo: Hedra, 2012.
RICHLIN, Amy. Marcus Aurelius in love. The letters of Marcus and Fronto. Chicago; Londres: The University of Chicago Press, 2006.
VAN DEN HOUT, Michael Petrus Josephus. A commentary on the Letters of M. Cornelius Fronto. Leiden; Boston; Köln: Brill, 1999.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Fabrizia Nicoli Dias, Charlene Martins Miotti

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a. Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
b. Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c. Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online após o processo editorial (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal), já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
d. Autores autorizam a cessão, após a publicação, de seu conteúdo para reprodução em indexadores de conteúdo, bibliotecas virtuais, bases de dados de acesso público e similares.








